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Mon, 16 Dec 2019
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Nuno Mateus emocionado no regresso a casa

O piloto da Algarve SPEDakar Team chegou ao Aeroporto de Faro às 10h40 de terça-feira. Na bagagem, o orgulho de ter conseguido completar o mais duro rali do mundo e muitas histórias sobre a aventura. Conheça-as em discurso directo.

Como te sentes por regressar a casa?
É sempre muito agradável ver as pessoas que nos são próximas, quer a família, quer os que se envolveram na SPEDakar. O reencontro é sempre emocionante, depois de todos estes dias fora e de tudo o que se passou, há sempre muitas saudades. Ainda não tinha falado com o Ricardo e com o Ruben, depois deles terem desistido. É sempre um sentimento muito bom.

Tiveste um final de Dakar muito doloroso...
A partir da 10ª etapa, tive mesmo muitos problemas na mão direita. Pensei muitas vezes que não iria aguentar. Directamente ninguém me incutiu a responsabilidade de ir até ao fim, mas sabia que a tinha, por ser o último piloto da equipa em prova, e por isso não podia fazer uma desistência de cruz. Até porque o projecto é enorme e já envolve um investimento assinalável. Não se pode deitar tudo assim a perder. A minha classificação na geral, até essa altura, era boa, estava dentro das minhas expectativas e numa altura em que muitos pilotos de ponta não tinham ainda desistido. Foi pena, a partir daí não tinha muitas hipóteses, tinha mesmo que me arrastar até ao fim e foi o que eu fiz. Andei devagar, havia rectas em que acelerava com a mão esquerda para aliviar as dores e assim fui andando.

O que gostaste mais e menos do Dakar?
O que gostei mais foi ver que o meu nível realmente estava muito aceitável, talvez melhor do que estava à espera. Fiquei muito contente por ter sido o melhor português na terceira etapa, pois foi uma etapa em que consegui imprimir o meu ritmo, o mesmo que planeava ter nas etapas seguintes. Mas, para azar dos azares, a etapa seguinte era de maratona, sem assistência, e, ao partir um cabo, fiquei dois dias sem roadbook e sem qualquer tipo de informação. Andar em Marrocos depressa e sem informação do roadbook é impossível. Temos que andar devagar para, ao fim dos dois dias, se poder reparar a avaria. Rendi-me às evidências, fiquei para trás para juntar-me a pilotos mais lentos. Estava a perder muito tempo, tentei passar para a frente, seguindo os trilhos marcados, o que era muito perigoso, e acabei por perder-me com o Mário Reinaldo e o piloto o sul-africano Elmer Symons. Eu e o Mário fomos para um lado, o Elmer para outro e acabámos por encontrá-lo, meia-hora depois, no chão, sem vida. Estava lá há muito pouco tempo, com o Hélder Rodrigues e o Paulo Gonçalves. Foi uma imagem que ficou e que me marcou profundamente vê-lo ali morto. Acabei por fazer a etapa praticamente ao ralenti. Apercebi-me da gravidade de andar sem roadbook.

E as quedas?
A 150 quilómetros do fim da sexta etapa, cai e fiz um entorse no dedo mindinho da mão direita, custou-me chegar ao fim e até pensei que era o fim. Mas na etapa seguinte não senti limitações de maior. Acontece que na décima etapa caí novamente e aí lesionei seriamente o pulso, que foi o que me deu problemas à séria. Não tinha força na mão direita e acabei por me esforçar imenso para chegar ao final.

Chegar a Dakar, para ti que foi uma estreia?
É muito gratificante, mas foi uma pena que tenha sido sozinho. O Ricardo ficou de fora muito cedo, o Ruben ficou na oitava... e é sempre difícil ficar sem os nossos colegas de equipa e, mais que isso, sem os nossos amigos.

Vais regressar para o ano?
Eu gostava muito de voltar, mas com uma moto diferente. A KTM é muito pesada para mim e não tiro proveito da velocidade de ponta da mota. Neste momento, há duas soluções aceitáveis: ou ir de 450, ou ir na nova 650 da KTM, desde que seja tão manobrável como dizem é. Terei que experimentar primeiro.

SPEDakar, 2007-01-24
 
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