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Ruben Faria

Futuro pode ser com esta equipa

Um dia depois de terminar o Dakar 2010 com uma fantástica vitória na especial de encerramento, que lhe valeu ser o único piloto português a vencer nesta edição do Dakar, Ruben Faria faz um primeiro balanço da prova, onde ajudou Cyril Despres a vencer pela terceira vez.

Balanço?
Ruben Faria: Claro que o balanço é positivo. Vim para este Dakar com o objectivo de ajudar o Cyril a vencer e isso foi conseguido. Durante quinze dias fomos nove pessoas a trabalhar com esse objectivo e o facto de estarmos no comando desde a terceira etapa mostra que o trabalho foi bem feito. Naturalmente que o mais importante foi o trabalho feito antes da prova, que ajudou a que tudo estivesse nas melhores condições para podermos atingir o objectivo a que nos propusémos.
Um trabalho em termos de preparação da moto e de todos os meios necessários para vencer?
Sim. A moto foi preparada em termos de motor pela KTM, de forma a manter-se competitiva mesmo com o restrictor que teve ser colocado por força dos regulamentos. Mas a equipa, e especialmente o Cyril, trabalhou muito ao longo do ano 2009 no desenvolvimento dos novos pneus da Michelin que equiparam as nossas motos na prova. E ao contrário da concorrência, não sentimos qualquer problemas com eles e nem mesmo no dia em que o Cyril teve problemas com a suspensão dianteira ou quando tivemos que trocar as rodas das motos os pneus se queixaram, o que já não se pode dizer da concorrência, com todas as incidências que conhecemos.
Crês mesmo que o Marc Coma trocou de roda?
Não quero alimentar essa questão. A organização encontrou provas para o penalizar e temos que aceitar isso.
E como foi para ti, cumprires o papel de ‘mochileiro’?
Já tanto se falou sobre isso. Nos últimos anos quem foi o piloto que venceu a prova sem ter um ‘mochileiro’? Talvez apenas o Cyril quando ficou sem o Verhoeven e o Meoni nas provas africanas. O Marc Coma sempre teve ajuda, o Peterhansel sempre teve alguém atrás de si, como o Magnaldi ou o Castera. Para mim ter esta possibilidade foi acima de tudo uma grande escola, aprendi bastante ao estar ao lado do Cyril neste Dakar e não me afectou em nada estar em prova como segundo piloto. Fiz um Dakar bastante tranquilo, sem arriscar em demasia e sem qualquer pressão. Apenas tive que cumprir com o meu objectivo na prova e penso que isso foi perfeitamente alcançado. A vitória na derradeira especial foi como que uma prenda que recebi, depois do Cyril me ter dito na noite anterior que podia ir à luta pelo 11º lugar.

Ele não precisava de ti na última especial?
Se ele tivesse problemas naturalmente que iría parar para o ajudar. Mas ele saíu muito antes de mim, por isso estava tudo controlado.
Mas para quem precisava de ganhar 58 segundos ao Berglund acabaste por voar baixinho.
Tinha que ser. A especial era muito rápida, mesmo como gosto e a 690 continua a ser a moto mais veloz do plantel, como se viu ao longo da prova. Senti-me bastante à vontade e no final fiquei mesmo surpreendido quando vi que estavam todos à minha espera para ver quem tinha ganho.
Não podias ter fechado a prova de melhor forma.
Acho que era impossível. O Cyril ganhou o Dakar pela terceira vez e eu venci a última especial. Ele estava quase tão feliz quanto eu. Foi espectacular.
Muito se falou da maior competitividade das 450 face às 690. Sentiste isso?
As 450 conseguiram ser mais eficazes do que anteriormente, mas não são ainda tão rápidas como as motos maiores especialmente quando é preciso andar mesmo depressa. Mas estão mais perto, sem dúvida, mesmo se a 690 continua a ser a raínha.
Depois deste resultado, o teu futuro passa por continuares com o Cyril?
Neste momento é prematuro podermos pensar já no futuro. O Cyril ainda da prova falou-me nisso, mas deixei essas decisões para depois deste Dakar. Sinto-me bem com a equipa e penso que eles gostaram do meu trabalho, pelo menos o Cyril já o afirmou publicamente mais do que uma vez. Mas em breve irei naturalmente anunciar se vou continuar com a equipa ou se altero os meus planos para o ano de 2010. Quero fazer mais provas internacionais, e é isso que vou procurar na hora de tomar decisões.
E quanto ao regresso do Dakar a África? Pensas que é possível?
Fala-se da eventualidade do regresso a África, mas neste momento nada está anunciado. Penso que lá para o final deste mês teremos novidades, mas por mim pode ser aqui ou em África. Adorei este Dakar em termos de paisagens e pistas, o Atacama é um deserto espectacular, tão exigente e bonito como a Mauritânia. E aqui na América do Sul nunca se fala em problemas de segurança, que ditaram a anulação do Dakar em 2008. Logo veremos.

Ruben Faria regressa a Portugal amanhã, chegando a Olhão na terça-feira.

Rui Belmonte, 2010-01-17
 
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