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Dakar 2005

 
 
Carlos Sousa cumpriu missão

Fazer melhor era quase impossível

Passaram 17 dias desde que o Rali Dakar teve a sua partida de Barcelona, com uma curta especial na praia, para abrir o apetite para a loucura que se seguiria. O piloto do Team Galp Energia TMN começou com cautelas, apenas 18º, mas a partir dai subiu até ao quarto posto, que ocupava no dia de descanso, vendo o azar bater-lhe à porta na 10ª etapa, baixando para sétimo onde se manteve até final, pese embora os esforços para ganhar uma ou outra posição. Carlos Sousa marcou positivamente a prova que fez aos comandos da Nissan Pik-Up Navara de 2003, preparada e assistida pela equipa semi-oficial da Nissan França-Dessoude.

Os primeiros dias de competição a sério, corridos em Marrocos, foram disputados num ritmo alucinante, que teve o condão de nada decidir, mas que deixou de fora alguns dos candidatos. Cientes que a prova se decidiria na Mauritânia, Carlos Sousa/Thierry Delli-Zotti impuseram um andamento sempre muito certo e rápido, que lhe possibilitou escalar vários lugares na geral ainda no país do Norte de África, para quando a prova chegou ao “centro das decisões”, assinarem etapas notáveis, que lhes permitiu estar no dia de descanso num magnífico quarto lugar da geral.

No deserto da Mauritânia, onde o Dakar fez a diferença, Carlos Sousa rubricou uma etapa fantástica, a sétima, a mais dura de toda a prova, que lhe permitiu na altura ascender ao quinto lugar. Esta foi uma tirada marcada por uma grande tempestade de areia, situação que se repetiu durante vários dos dias de competição, que tornou um Dakar já à partida difícil, numa tarefa dificílima de cumprir para todos os concorrentes, onde os enganos de percurso por vezes acontecem, mas que ao português raramente sucederam e sempre que isso foi uma realidade rapidamente voltou ao rumo certo.

Na véspera do dia de repouso em Atar, a subida à quarta posição permitia ao piloto do Team Galp Energia TMN assinar o seu melhor desempenho de sempre nesta fase da prova. Quando se entrava na derradeira semana do Rali Dakar, o português estava à beira de mais um resultado histórico, mas um arreliador problema com um rolamento da roda da frente direita deixou-o “plantado” mais de seis horas no deserto, caindo para sétimo. Não baixando os braços, Carlos Sousa/Thierry Delli-Zotti voltaram a assinar actuações de grande nível, coroadas com o terceiro lugar na penúltima especial, em que a vitoria escapou por apenas um minuto, depois dos 25 que demoraram para passar o BMW de José Luís Monterde.

No total das 14 especiais realizadas, apenas por quatro vezes o piloto do Team Galp Energia TMN ficou fora dos 10 primeiros, sendo que três dessas ocasiões ocorreram nas primeiras três etapas realizadas com especiais cronometradas, ou seja as duas em Espanha e a primeira em Marrocos, numa altura em que nada se decidia e correr riscos poderia ser fatal. A partir desse momento, só no dia do problema mecânico o português voltou a ficar fora dos “10 mais”, o que demonstra uma regularidade impressionante, quando estava a competir contra mais de uma dezena de carros oficiais.

No ano em que ultrapassou a barreira dos 80 mil quilómetros nas nove participações no Rali Dakar, exactamente 82.471, Carlos Sousa teve pela frente uma das mais duras edições do evento, mas completou com êxito a missão a que se propôs, foi o melhor privado e terminou pela oitava vez, em nove presenças, provavelmente o mais duro rali do mundo, tendo completado a prova pela quinta vez no “top ten”. Agora a esperança é que alguma equipa oficial lhe abra as portas para um projecto feito com tempo e que lhe permita preparar da melhor forma as futuras participações na aventura que um dia Thierry Sabine idealizou e que já vai na 27ª edição.

Carlos Sousa:

“Terminei o meu oitavo Dakar em nove participações, e já conto com mais de 82 mil quilómetros nesta corrida. A prova deste ano foi mais difícil do que todos esperava-mos, inclusive a organização, mas conseguimos superar as dificuldades com um bom desempenho final. Com tantos carros e pilotos oficiais à partida, fixamos como objectivo ser os melhores entre os concorrentes privados e entrar no “Top Ten”, o que conseguimos logo a partir da 6ª etapa (3ª realizada em Àfrica).”

“O Thierry é um excelente navegador e gostei bastante do seu trabalho, que foi importante quer ao nível de navegação, pois raramente tivemos problemas nessa área, quer ao nível mecânico, pois foi ele que desenrascou o problema da rótula quando tivemos o problema na 10ªetapa. Espero conservá-lo nos meus projectos no futuro próximo”.

“Com tantos pilotos oficiais, chegar em quarto lugar ao dia de descanso foi honroso para nós com a Nissan Navara 2003. Depois não conseguimos defender essa posição devido ao problema na rótula da roda frontal direita, que nos fez perder uma eternidade no Deserto… O sétimo lugar é uma posição realista para a nossa máquina, pois só temos à nossa frente carros oficiais.”

“Ainda tentei ganhar uma etapa para o fim da prova, mas a pista era estreita e havia muito pó sendo difícil e principalmente arriscado ultrapassar. Perdi algum tempo a assistir um motociclista acidentado, mas a organização não me compensou por isso, não está previsto nos regulamentos, é uma obrigação humanitária que respeito muito, até porque já tive em situação de apuros e sei bem o que é.”

DCA News, 2005-01-19
 
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