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Sun, 22 Jul 2018
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Team Tanqueluz - Sonho concretizado

A felicidade de chegar ao fim

Disputando o Lisboa-Dakar com o único Bowler Wildcat existente em Portugal, a dupla Lino Carapeta/Ricardo Cortiçadas, do Team Tanqueluz, completou esta tarde no Lac Rose a sua participação no Euromilhões Lisboa Dakar, cumprindo assim com sucesso os 9043 quilómetros disputados desde que a 31 de Dezembro a prova arrancou de Lisboa. O dia de hoje, com a passagem pelo pódio instalado no Lac Rose, foi de enorme emoção e grande contentamento para a equipa que desta forma cumpriu todos os grandes objectivos a que se tinha proposto.

Para Lino Carapeta “chegar ao Lac Rose é o momento mais importante de toda a prova. Quer dizer que completamos com sucesso um projecto iniciado há pouco mais de seis meses. Foi duro embora viéssemos bem preparados e com uma máquina excelente. A maior dificuldade ocorreu na parte final da prova porque já estávamos sem camião de assitência e começamos a recear que nos pudesse acontecer algo que nos impedisse de levar este sonho até ao fim. As dunas, a navegação as etapas com mais de dez horas tudo isso fomos ultrapassando sem puder dizer que tenha sido muito difícil. O pior foi mesmo a parte final da prova e o susto monumental quando capotámos a trinta quilómetros à hora a dois dias do final da corrida. Aí é que tive mesmo medo de ter estragado tudo. Agora que aqui estamos é uma enorme alegria. Vamos agora com calma pensar no futuro mas sempre disse que este projecto era para vários anos e conto estar à partida da próxima edição que sairá de novo de Portugal e provavelmente de Lisboa ”.


Resumo das 15 etapas


Ao volante do único Bowler Wildcat existente em Portugal, a dupla Lino Carapeta/Ricardo Cortiçadas, que defende as cores do Team Tanqueluz, fez uma prova de excelente nível, tendo em conta não só a estreia da equipa na prova como a sua pouca experiência nesta disciplina do todo-o-terreno, já que a equipa era uma eximia praticante de Trial.

As primeiras etapas correram sem problemas e o nervoso miudinho da dupla provocado pela estreia na prova e arranque de Portugal deixou de existir uma vez o capacete colocado. “As etapas portuguesas correram-nos bem e cumprimos os objectivos, que passavam por ir para Marrocos com o carro intacto”, declarou, na altura, Lino Carapeta, que partiu para Espanha na 109ª posição da geral. Uma vez em território africano, três etapas e zero erros ou problemas, já que a táctica manteve-se inalterada, ou seja, aprender e não exagerar no andamento. “A nossa preocupação tem sido sempre aprender a ler o terreno e trabalhar a navegação, capítulo que pede muito trabalho e muita experiência para não se perder tempo”, justificou no final da quarta etapa (Er Rachidia/Ouarzazate).

No dia seguinte, Lino Carapeto queixou-se apenas da ultrapassagem aos camiões, manobra sempre delicada de realizar. “Mesmo com o sistema Sentinel que todos possuímos tem sido muito difícil passar pelos concorrentes do camiões. Ou melhor, por alguns, já que mesmo sabendo que estamos atrás alguns deles não facilitam. Ao mesmo tempo, fiz a quinta etapa com o Nico, um piloto espanhol com quem partilho a assistência e perdi duas horas a ajudá-lo a reparar um semi-eixo partido. Mas como a classificação geral não me interessa, não me preocupo com o tempo que posso perder”.

Na entrada na Mauritânia, a equipa do Team Tanqueluz passou pelas primeiras dificuldades na transposição de dunas, mas conseguiu terminar, uma vez mais, sem problemas mecânicos… o que já não aconteceu no dia seguinte, no decorrer da sétima etapa, quando em algumas zonas de dunas a dupla acabou por ficar presa em determinados locais. “Atascamos umas quatro vezes, mas o Bowler tem-se revelado um carro bastante fácil de retirar, pelo que nunca perdemos muito tempo. E o meu mecânico continua sem grande trabalho!”.

Na oitava etapa, no dia anterior ao dia de descanso, entre Atar e Nouakchott, surgiram os primeiros problemas depois de sete dias em que o mecânico da formação lusa quase nada teve para fazer. O início da oitava etapa até começou bem para o Team Tanqueluz, registando o terceiro tempo entre os portugueses à passagem pelo primeiro controle de passagem depois de, na véspera a equipa se ter posicionado na quarta posição da classificação geral. “O que aconteceu foi que depois de termos encontrado sem dificuldade o CP1 ficámos ligeiramente perdidos numa zona de dunas e optámos por seguir os traços de um dos camiões que ocupa as primeiras posições da sua categoria. Acabámos por ir dar a uma zona onde estavam vários concorrentes atascados. Na tentativa de sairmos desse local acabámos por dar um salto mais despropositado e na aterragem ficámos sem diferencial à frente. A pancada foi bastante forte e partiu-se a roda de coroa. Desmontámos a transmissão para não afectar a caixa de velocidades e viemos apenas com tracção traseira. Foi um verdadeiro calvário. Ajudaram-nos várias vezes mas acho, mais uma vez, que tenho um carro fabuloso porque, noutras circunstâncias e dadas as características da etapa, a prova teria terminado por ali. Foi pena já que de facto estávamos a fazer uma prova muito certinha e, dia após dia, a melhorar na classificação geral. Perdemos agora a quarta posição dos portugueses, mas continuamos ainda uns bons furos acima daquilo que, à partida, pensávamos que seria possível. Agora vamos ter calma, não desanimar com este percalço e trabalhar para chegar ao Lac Rose”.

A entrada do Lisboa-Dakar no Mali alterou completamente o cenário da prova mas, para a dupla Lino Carapeta/Ricardo Cortiçadas, o facto da organização ter mantido a ordem de partida anterior ao dia de descanso voltou a obrigar a equipa a um enorme trabalho de ultrapassagens. Ao todo foram mais de 30 carros e cerca de 15 camiões que a equipa teve de dobrar nas pista de terra, estreitas e ravinosas, que serpenteiam através da savana. À chegada a Kayes, depois de ter registado o 58º tempo, Lino Carapeta mostrou-se "desgostoso de, depois de ontem me ter esforçado tanto por terminar a etapa numa boa posição, hoje ter sido de novo obrigado a partir lá para trás. Penso que é injusto e a organização deveria dar um pouco mais de atenção a estas situações. Tenho o carro em excelente estado, vou continuar a poupá-lo mas, se mantiver este ritmo e não voltar a ter que fazer todas estas ultrapassagens, poderei subir ainda umas boas posições na classificação geral. A minha meta, tal como tinha afirmado era ficar entre os cinquenta primeiras e na primeira metade da classificação. Acho que estamos no bom caminho".

Seguiu-se a 11ª etapa, com 231 quilómetros, cumpridos em 5h33m20s e classificando-se na 62ª posição. De Kayes até Bamako, para Lino Carapeta "hoje foi mais um dia a rolar direitinho. Perdemo-nos uma vez no início da etapa, onde deve ter andado muita gente perdida. Continuo naquele que eu considero ser o ritmo certo e que me poderá levar ao Lac Rose e cumprir os meus objectivos. Ontem poderia ter passado para terceiro português mas não vou entrar nessa guerra. Qualquer ‘excitação’ neste momento da prova pode vir a pagar-se muito cara. Todos os dias só penso em fazer a minha corrida e, só por solidariedade é que posso pensar nos outros".

Para a penúltima tirada cronometrada estava reservado o primeiro e único susto desta prova! “Íamos a 30km/h, atrás de um camião, quando havia um gancho à esquerda para uma ponte. Não nos apercebemos da mudança de direcção e quando tentei corrigir já era tarde e o carro deu uma volta pelo barranco. Depois, veio outro camião que nos deu um puxão e colocou o Bowler direito. Foi um susto monumental! Pensei que ia terminar a prova ali. Afinal foram só uns bocados de fibra partida, remendada com fita americana e lá voltámos a seguir. Nos últimos quatro dias ficamos sem camião T4 e portanto sem qualquer tipo de socorro na pista. O Dakar tem sido muito duro e o material está muito fatigado. Como ainda não tenho a experiência de saber até onde ele aguenta, a única solução é vir devagar, a poupar o mais possível. Só que isso é um pau de dois bicos. Quando estava no meu andamento, no meio do pelotão, não tinha ninguém que me incomodasse. Os mais rápidos estavam à frente e os de trás eram mais lentos. Agora rolamos lá mais atrás, onde há toda a confusão e o acidente aconteceu por isso. Felizmente que já só falta a etapa do Lac Rose...”.

A2 Comunicação, 2006-01-15
 
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