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Tue, 23 Jan 2018
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No segundo ano em automóveis Nani Roma logrou subir ao pódio

Com 33 anos e uma progressão excepcional, Roma torna-se o primeiro piloto espanhol a vencer em motos e a subir ao pódio do Dakar.

Em 2004, quando decidiu passar para os automóveis depois de vencer o Dakar em motos, sabia que tinha muito trabalho pela frente. Mas também sabia que com vontade, esforço e um carro competitivo, não demoraria muito a estar entre os melhores. Terminou em sexto naquela que foi a sua primeira participação aos comandos de um Mitsubishi Pajero Evolution e participou nesta 28ª edição do Dakar com um objectivo muito claro: subir ao pódio no Lago Rosa. Não foi fácil, mas desde o primeiro momento foi considerado como um dos candidatos à vitória, chegando mesmo a liderar a prova no final da primeira Etapa africana. Este inquieto e incansável piloto voltou a desempenhar na perfeição o trabalho de equipa, trabalho que foi recompensado com a terceira posição neste Lisboa Dakar 2006.

O que pensas do teu desempenho neste rali?
Quando recordas as Etapas uma a uma e vês o que fizemos, acho que o balanço é positivo. Em Portugal estive bem, sobretudo considerando que foram Etapas do tipo Mundial de Ralis, que em princípio não me eram favoráveis. Estive bem em termos de pilotagem, sem erros e rodando no mesmo tempos dos da frente. Apenas participo em automóveis há dois anos e com adversários tinha pilotos com muitos quilómetros já nas costas. Atravessámos Marrocos a um bom ritmo, rodando sempre a poucos minutos da frente, dos que ganhavam as Etapas. A Mauritânia é talvez o lugar onde ainda tenho mais que aprender. Tenho de melhorar nas dunas e tivemos também alguns erros de navegação que nos fizeram perder muitos minutos. Isso fez com que os líderes nos escapassem. É algo que temos de resolver para que não suceda no futuro. Finalmente, no Mali e Guiné creio que andámos a bom ritmo. O meu trabalho consistia em esperar pelo Peterhansel e ir atrás dele. Assim fiz, mas devido aos problemas que ele teve, perdi o comboio com os líderes. Mas esse era o meu trabalho e estou numa equipa que quer vencer o Dakar. Estava a mais de 40 minutos do Stéphane e era lógico que estivesse atrás dele. A Etapa de ontem com chegada a Dakar começou bem até que nos perdemos. Em suma: creio que andei em bom ritmo, tudo correu pelo melhor e quero ser capaz de continuar a progredir, ainda que devemos melhorar alguns pormenores, como as dunas e a navegação.

Nestes últimos anos tens conseguido sempre cumprir com os objectivos traçados. Em 2004, vencer nas motos, o ano seguinte, terminar, o que conseguiste com uma brilhante sexta posição, e este ano o pódio. O ano que vem é para vencer em carros?
Sim, de facto esse seria o culminar do projecto. Aprender, progredir, liderar e vencer em 2007. Mas também é verdade que no ano passado não imaginava que no meu segundo ano pudesse estar no pódio, apenas que poderia vencer uma Etapa e que estaria um pouco mais à frente. Mas melhorei muito este ano, não cometi erros e o mais importante é que sinto que ainda há margem para melhorar. Isso faz com que seja optimista para o ano que vem. Apenas um vence, mas o mais importante é poder estar em condições de o fazer e eu vejo-me capaz de vencer no próximo ano.

Qual foi o pior momento deste Dakar?
Sem dúvida que a perda de um companheiro é sempre muito dolorosa. Não conhecia bem o Andy, mas era uma pessoa simpática que corria na minha antiga equipa. Também a morte dos dois miúdos foi muito triste, mas o falecimento do Andy está mais próximo e por isso toca-me mais. Desportivamente também tive momentos complicados como quando na Mauritânia fiquei atolado e demorei meia hora para de lá sair. Era ao quilómetro 40 e ainda faltavam quase 600 pela frente. E fi-los muito nervoso. Mas a todos sucede algo e no fim a classificação só conta quando chegas a Dakar. Tenho de estar contente com o que fiz.

Além do pódio, outro momento positivo.
Cada dia, cada quilómetro era positivo porque sentia que aprendia e sentia-me bem e com vontade. Nem sempre se aprende mas neste rali todos os dias tive a sensação de o fazer, de me sentir cada vez melhor com o carro. Isso foi o melhor.

Alguma vez sentiste pânico?
Não. Tive uma prova muito tranquila. Talvez estivéssemos um pouco nervosos, o Henry mais do que eu, quando ontem nos perdemos. Mas tranquilizei-lo, voltámos atrás e encontrámos a pista; não havia motivos para pânico. Tínhamos uma boa vantagem, pelo que não havia que temer pelo tempo gasto. Senão fosse assim, talvez fosse motivo para pânicos. Em 2004 aprendi a encarar as coisas de outra forma. Foi o momento mais complicado, mas também foi quando mais tranquilo estive. Agora entendo muito melhor a corrida e sempre tento levar as coisas desta forma - tranquilo.

O momento de mais desgaste físico.
Todos os dias são extenuantes e muito complicados, sobretudo as Etapas de areia, mas preparei-me muito bem. É verdade que a minha posição de condução no carro não é a ideal mas estou cada vez melhor.

Como avaliar a prestação dos teus companheiro. O Luc Alphand por exemplo?
Fez um rali muito bom. Foi muito consistente. Trabalhou muito e creio que mereceu ganhar.

Hiroshi Masuoka
Teve muito azar em Marrocos. Encontrou um buraco, capotou e teve de abandonar. Foi uma lástima, porque é um piloto com muita experiência que deveria ter estado com os da frente a lutar pela vitória.

Stéphane Peterhansel
O que dizer de uma pessoa que venceu o Dakar por oito vezes. Teve um dia mau, um desses em que tudo dai mal e perdeu o rali. Demonstrou ser o piloto mais forte, sobretudo na Mauritânia, mas felizmente as corridas são assim, imprevisíveis. Não são justas para todos, mas é claro que merecia a vitória.

Que opinião tens do Director da Equipa, Dominique Serieys?
É um excelente manager. E o resto da equipa também é formidável. Sabemos que nós sem o resto da equipa não somos nada. O Dominique é o topo de uma pirâmide de gente e faz tudo funcionar, ele motiva as pessoas, para que todos dêem o seu melhor e o façam com vontade. É o mais ambicioso de todos. É uma figura chave nesta equipa e faz com que toda a engrenagem funcione.

Qual é o segredo da equipa Repsol Mitsubishi Ralliart?
O conjunto, a equipa. Toda a gente que trabalha nela, desde os pilotos, aos engenheiros, mecânicos, condutores de camiões até ao Dominique ou ás pessoas que estão na fábrica. É um grupo de pessoas que dão o máximo com um só objectivo: vencer. O resto não importa.

Que memórias te vieram à cabeça quando viste o Marc Coma no mais alto degrau do pódio?
Uma série de boas memórias. Quando o vi na praia lembrei-me de mim quando. A mim custou-me muito vencer e lembro-me que foi das melhores sensações que tive na vida. É bonito ver ganhar alguém que começou contigo, a quem, entre aspas ensinaste o que sabias.

O Nani Roma vai agora de férias…
Sim. Vou de férias alguns dias já a pensar na Argentina. Dentro de dois meses vamos para lá com o objectivo de continuar a aprender e tentar vencer o rali.

GateKeepers, 2006-01-15
 
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