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Giovanni Sala foi guarda-costas até no pódio

O veterano piloto italiano secundou Marc Coma com a terceira posição no Lisboa Dakar 2006

Para assaltar este Dakar juntamente com Marc Coma, a equipa Repsol KTM apostou, pelo segundo ano consecutivo, neste veterano piloto de enduro. Depois de ter estado um ano praticamente inactivo, em Outubro último participou no rali do Egipto onde obteve um excelente quarto lugar. O seu trabalho no Dakar era claro: defender e ajudar o Marc Coma. Apesar de alguns problemas de navegação, mecânicos e de deslocar um dedo da mão, Sala cumpriu exemplarmente o seu trabalho. Conseguiu vencer uma Etapa e nunca se separou de Coma nem mesmo no pódio do Lago Rosa, onde obteve o terceiro posto.

Como foi este teu Dakar 2006?
O meu trabalho neste Dakar era fazer de piloto de assistência, trabalhar para a equipa. A minha intenção, se possível fosse, era também fazer uma boa corrida, mas era difícil apontar demasiado alto. Em Marrocos tive calma, não aumentei demasiado o ritmo, por um lado, porque ainda me estava a habituar à moto, e por outro, porque não queria comprometer as minhas funções na equipa num terreno tão complicado. A Mauritânia foi muito complicada em termos de navegação. A minha experiência permitiu-me seguir a bom ritmo sem cometer erros. Cheguei à Etapa de descanso bem classificado. A partir de então aumentei o ritmo e diverti-me bastante. Fisicamente estou bem, o que me permitiu resistir às Etapas mais compridas, ainda que temesse que a queda que sofri antes do dia de descanso pudesse colocar em risco a continuação no rali. Felizmente não foi assim. Já estava em terceiro quando tive um problema com os travões da moto que me fizeram perder bastante tempo. Na Etapa mais dura tentei recuperar tempo, mas tive alguns problemas com o dedo. Na penúltima etapa cometi um erro de navegação e perdi bastante tempo mas, felizmente pude manter a terceira posição até final. Uma classificação que não esperava. Estou muito feliz, porque o meu objectivo era chegar entre os cinco primeiros. Foi um trabalho de equipa fantástico, tanto da KTM, como do meu mecânico, do médico que me ajudou na recuperação, do Team Manager... toda uma série de factores que juntos fizeram com que conseguisse um pódio.

Como é terminar o Dakar no pódio?
Fantástico. Ao longo da minha carreira desportiva no enduro tive bons momentos, mas o Dakar é diferente. Sempre foi uma prova que me fascinou, e que por um motivo ou outro -problemas mecânicos, navegação... – nunca tinha conseguido terminar entre os primeiros. Este terceiro lugar é o topo da minha carreira até ao momento.

Qual foi o pior momento deste Dakar?
A morte do Andy Caldecott. É sempre difícil aceitar quando um piloto tem um acidente, mas neste caso o Andy fazia parte da nossa equipa. Partilhávamos comida, tenda, sorrisos, briefings... pelo que se torna muito difícil. É algo que te deita abaixo psicologicamente.

E o melhor momento foi a subida ao pódio?
Obviamente, além do mais porque acompanhado pelo Marc. No pódio não te apercebes, mas tudo acontece muito depressa. Mas hoje que estou mais relaxado e analisando as coisas à distância é que me dei conta que fiz uma boa prova e, por isso, estou ainda mais satisfeito. Agora há que saborear.

Em que altura percebeste que poderias terminar no pódio este Dakar?
Três dias antes de terminar. Quando o Isidre caiu vi que tinha possibilidades de terminar em terceiro ou quarto. Com os anos de experiência que tenho, sei melhor que ninguém o quão imprevisível é esta prova e quando tive o problema com os travões, honestamente pensei que perdera a possibilidade de terminar no pódio. Mas felizmente não foi assim e consegui terminar em terceiro.

Qual foi o maior susto que apanhaste?
A verdade é que andei sempre seguro e não tive demasiados sustos. Talvez na penúltima jornada quando me perdi. Encontrei muitos pilotos pela frente que tive de ultrapassar no pó, apesar do perigo que isso traz para não perder mais terreno.

Que importância teve o Jordi Arcarons?
O Jordi é um tipo fantástico além de um grande profissional. Antes de começar o rali trabalhou muito a mente dos pilotos e depois no Dakar fez com que tudo funcionasse na perfeição. Foi responsável pelas ordens de equipa, como o facto de eu ter de esperar pelo Marc para seguirmos juntos. Ainda que em algumas ocasiões não entenda as suas razões por completo, a equipa funciona assim e há que aceitar.

Que opinião tens do Jordi Viladoms?
É um jovem muito bom piloto. Foi pena que no final não tenha conseguido chagar a Dakar. Mas a queda que teve é clássica. Estás já perto da meta e tentas divertir-te, o que faz com que baixes a guarda por momentos e isso leva a que cometas um erro. O percurso era fácil, mas em moto torna-se sempre perigoso e nunca podes confiar em demasia. Estou certo que no futuro terá sucesso.

Carlo De Gavardo
Um piloto completo. Tem experiência e é bom a pilotar e a navegar, mas não teve sorte numa série de circunstâncias como a penalização que lhe foi averbada por ter excedido o limite de velocidade. Isso fez com que caísse lugares e a ficar nervoso e isso é meio caminho andado para cometer erros.

E o campeão, Marc Coma.
Esteve simplesmente fantástico. É um dos melhores pilotos que conheço, uma excelente pessoa e um grande amigo. Fez uma prova praticamente perfeita; cometeu talvez um pequeno erro, mas dos que sucedem a todos, inclusivamente aos mais consagrados. Como piloto é muito bom, e a navegar melhor que o resto da caravana. Agora está mais maduro e, actualmente, é o melhor piloto de raids do mundo.

Teremos de novo o Giovanni Sala no Dakar 2007?
Vamos primeiro terminar 2006 e logo veremos, ainda que gostaria imenso que assim fosse. Gosto muito desta equipa, a Repsol e a KTM puseram à minha disposição todos os meios para conseguir alcançar um bom resultado, pelo que seria fantástico poder voltar o próximo ano.

Estão à tua espera à chegada ao aeroporto em Itália?
Sim. Tenho a certeza que os meus amigos estarão lá.

O que vais fazer agora?
Regressar ao enduro, que é o meu mundo. Devo competir numa prova do Campeonato Italiano para manter a forma e continuar no Mundial de enduro.

GateKeepers, 2006-01-16
 
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